A atividade mineradora propiciou em todo território das minas um estabelecimento de centros urbanos para onde concorriam um grande contigente de pessoas. No princípio, além dos índios, eram reinóis e brasileiros, trazendo com eles seus escravos, dividindo praticamente a sociedade colonial entre os senhores brancos e pretos escravos africanos. Não bastou muito tempo para que aparecessem os crioulos, pretos nascidos no Brasil e, com a miscigenação, um grande número de pardos. Com a proibição das ordens religiosas regulares nas minas, instalaram-se as irmandades e confrarias e cada uma com sua devoção específica. E assim aparece em toda Minas a irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. E, com ela, as capelas com o mesmo orago já nas primeiras décadas do século XVIII. Alguns autores defendem que essa predileção dos escravos pela Nossa Senhora do Rosário se deu pela relação direta entre o rosário de Nossa Senhora e o “rosário de ifá” usado pelos sacerdotes africanos.1 Acervo Secretaria de Cultura de Sacramento Pesquisas recentes registram que a atual Capela de Nossa Senhora do Rosário do Desemboque estaria sendo construída no século XIX, por volta do ano de 1854. Entretanto, podemos supor que outras mais simples foram edificadas em épocas mais remotas, fato bastante comum em Minas Gerais nesse período. Para quem vem de Sacramento, logo que se chega ao povoado de Desemboque, avista-se a fachada posterior da capela do Rosário provocando, pela beleza e singularidade da paisagem, emoção e puro encantamento. Sua implantação, em uma esplanada, é privilegiada no sítio urbano, como determinavam as regras eclesiásticas e para que ali coubesse toda sorte de fiéis quando das festas e procissões. O entorno é constituído por um aprazível gramado natural e, do local, percebe-se a ampla e particular vista que a envolve. Caracterizada, como as demais capelas do lendário “Sertão da Farinha Podre”, por grande simplicidade arquitetônica, tem planta organizada em nave, capela-mor e sacristia lateral única. Seu sistema construtivo é misto com as paredes da nave em pedra e cal até a altura do coro quando passa a ter estrutura autônoma de madeira e vedação em adobe. Na capela-mor e sacristia também é utilizado o sistema de gaiola com paredes de adobe. Esse duplo sistema sugere um tempo de construção bastante duradouro com a execução em etapas sucessivas ou mesmo reparos e reformas que foram acontecendo através dos anos. A volumetria, embora igualmente simples, movimenta-se com as alturas diferenciadas do telhados. A cobertura mais alta em duas águas na nave, outras duas na capela-mor mais baixas e apenas uma na sacristia ainda mais baixa, recebe telhas tipo capa e bica e é arrematada com beirais em cachorrada. A fachada principal, bastante singela, mostra sistema em “V” de fenestração com porta central almofadada e duas janelas de parapeito entalado no nível do coro. As vergas são alteadas e a empena recebe um pequeno óculo circular. O galbo do contrafeito suaviza a inclinação do telhado e dá maior leveza ao templo.

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zona rural , -

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Informações úteis

Localização

Rural

Pontos de referência

Pegar a estrada ecológica, que se inicia na MG 428 no posto do Tião da Curandeira

Horário de funcionamento

Horário de funcionamento

Tipo de visita

Não guiada

Entrada

Franca

Atividades realizadas

Numa visita ao Povoado do Desemboque o turista ainda pode desfrutar do turismo ecológico como passeio pelo chapadão do Bugre, águas e corredeiras do Rio Araguari, aqui chamado “das Velhas” e diversas cachoeiras da região.

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