Turismo em Minas Gerais | Carrancas: conheça a terra das cachoeiras

Carrancas: conheça a terra das cachoeiras

Foto por: Flávia Carvalho
Atualizado em: 20/04/2021

Carrancas: conheça a terra das cachoeiras

 

Com dezenas de pontos turísticos repletos de natureza e belíssimas paisagens, Carrancas é conhecida como a terra das cachoeiras.

 

Carranca: cara muito feia, sisuda, sombria e mal-humorada (Dicio: Dicionário Online de Português).

Mas se for no plural “Carrancas” aí significa natureza, tranquilidade, mineiridade e cachoeiras, muitas cachoeiras, porque me refiro à cidade mineira de Carrancas, que tem pouco mais de 4 mil habitantes e um território extenso e lindo, repleto de rios, cachoeiras, paredões, serras, trilhas e mirantes.

Aquele conjunto de belezas naturais que faz a gente achar que está em uma cena de novela. E não é impressão. Muitas novelas globais foram gravadas em Carrancas e sempre há essa referência quando se visita algum local que serviu de cenário.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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A cidade é pequena e tranquila. Tem sempre um grupinho proseando numa esquina ou na porta de um comércio. No centro, uma praça grande onde fica a Matriz e o coreto, e que tem jardins muito bem cuidados. No entorno da praça, alguns bares e restaurantes.

Outras opções para experimentar a comida local você encontra a poucos quarteirões dali. É possível e seguro circular a pé pela cidade. Mas não é na área urbana que você vai encontrar as principais atrações, e sim nas serras, nas propriedades rurais e nos parques, e, para acessá-las, aí você vai precisar de um transporte.

 

Dicas imperdíveis do que conhecer em Carrancas

 

Foto: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

 

Antes de chegar à cidade, a estrada já dá indícios do cenário da viagem: uma rodovia de pista simples, cercada por montanhas, represa, natureza, fazendas. E quando já está bem perto, surge um paredão à frente que se destaca totalmente da paisagem: é a Serra de Carrancas.

Fiz essa viagem com uma grande amiga e parceira de viagens, a Flávia. Nosso objetivo era “cachueirar”. Amo entrar em uma queda d’água, sentir o fluxo forte da água batendo no corpo, mergulhar em um rio, experimentar aquele arrepio provocado pela água geralmente fria. É quase como um ritual para me energizar.

Como as cachoeiras ficam em diferentes direções do município, optamos por nos hospedar no centro, perto dos restaurantes e bares para ir à noite, e de onde partiríamos, pela manhã, rumo aos complexos.

Foto: Eu e Flávia (ao fundo), na Cachoeira das Onças

 

Em Carrancas, os conjuntos de quedas d´água e poços que ficam próximos em um mesmo rio são chamados de complexos. Existe o Complexo da Zilda, Complexo da Toca, Complexo do Tira-Prosa...

Normalmente, a entrada nesses complexos é paga e o valor é bem variado. Minha dica é que pesquise antes da visita para saber dias e horários de funcionamento, o valor atualizado do ingresso, e que tenha dinheiro, nem sempre aceitam cartão.

Vou contar um pouco dos locais que visitamos e qual foi minha percepção sobre eles. Mas já adianto que todos são lindos!

Complexo da Ponte

Fica a apenas 2 km da cidade e fomos caminhando até lá. Na entrada tem um camping, e a trilha que leva às cachoeiras é bem demarcada e fácil, inclusive para crianças.  

Passamos pela Cachoeira do Salomão (a cerca de 700 m do camping), mas gostamos mesmo foi da Cachoeira do Moinho (a cerca de 900 m do camping), com uma pequena área de areia, poços abaixo e acima da queda d’água.

Nesse dia estava nublado e por isso não entramos na água, mas só de colocar o pé no rio e ouvir o barulho da cachoeira, a paz e a tranquilidade já começaram a ocupar seu lugar na minha mente. Acredito que por ser um dia útil e por estar frio, não havia ninguém mais ali, então me permitiu meditar e relaxar.

 

Foto: Cachoeira do Moinho

 

Complexo do Tira-Prosa

Há menos de 1 km da cidade, fica o Complexo do Tira-Prosa, e também chegamos até ele caminhando. A Cachoeira do Tira-Prosa fica logo no início, com acesso bem fácil, e tem uma área ampla para banho.

A partir dela é possível subir caminhando por uma trilha que passa por outros três poços e leva até um ponto bem alto, próximo ao local de captação de água da cidade. Dali a vista da região é maravilhosa!

Todo o caminho é muito bonito porque vai margeando e também cortando o leito do rio. Em algumas partes o rio se espalha pela rocha fazendo vários filetes de água (a depender da época do ano, porque se for no período de chuvas, provavelmente o cenário será outro).

A vegetação é muito rica e a cor da água passa aquela sensação de pureza. Dentre os poços, o da Canoa mais me encantou por ser cercado por paredões de pedra. Atenção: como a trilha em alguns momentos corta o rio, não tem como não se molhar ao percorrê-la.

 

Foto: Complexo do Tira-Prosa, próximo ao ponto de captação de água da cidade, com Carrancas ao fundo.

 

Complexo da Toca

Esse também está perto da cidade, há cerca de 3km, mas dessa vez, fomos de carro, até porque, a partir dele, iríamos para o topo da serra no fim do dia ver o pôr do sol. Nesse complexo a paisagem também intercala rochas, rio e vegetação.

O acesso às cachoeiras e poços é fácil, inclusive para crianças. E dele o destaque é o Poço do Coração, que, confesso só entendi semanas depois quando vi uma imagem área do local. A queda da cachoeira é pequena, em um platô acima do poço, a ponte de pedra fica no outro extremo, a vegetação que parece tombar para proteger o espaço, tudo contribui para o lugar ser muito acolhedor. O espaço é pequeno, sem prainha para acessar o poço, por isso é necessário caminhar e se sentar nas pedras. Há outros locais para banho ou parada também bem agradáveis antes de chegar a esse ponto.

 

Foto: Poço do Coração

 

Foto: Ao longo da trilha do Complexo da Toca

 

Cachoeira das Onças

Esse passeio foi pra gente sentir o gostinho de fazer trilha, já que os outros haviam sido de pouca distância e sem dificuldade. Ele não é sinalizado, por isso, contratamos um guia que nos acompanhou durante todo o dia.

Fomos no nosso carro até a entrada do Complexo da Zilda, cerca de 12 km de estrada de terra, e ali iniciamos a caminhada. São apenas 2,7 km até as cachoeiras, mas a trilha passa por uma área de vegetação de cerrado onde as poucas sombras fazem o sol incomodar. Proteja-se e use um boné ou chapéu.

Tem subidas íngremes que cobram mais do joelho, além de um pequeno trecho mais complicado, margeando uma das cachoeiras, pela rocha, onde é necessário se apoiar nas cordas, e talvez contar com ajuda de outras pessoas. Mas não desanime, vale a pena, foi encantador!

 No meio do caminho, conhecemos um recanto delicioso onde pudemos entrar no rio, bem ao lado de um paredão enorme coberto de samambaias.

 

Foto: Ponto para banho no caminho para a Cachoeira das Onças

 

A Cachoeira das Onças fica no ponto de encontro de dois rios e, em cada um, há uma cachoeira, ou seja, são duas cachoeiras  bem próximas, quase em frente à outra. E essa cena foi inédita para mim!

Foto: Cachoeira das Onças

 

Complexo do Grão Mogol

No retorno da Cachoeira das Onças, já de carro, na estrada sentido à cidade, desviamos do caminho principal para conhecer o Complexo do Grão Mogol. De Carrancas até esse complexo também são 12 km.

Para acessá-lo é preciso passar por uma porteira que fica trancada. A chave precisa ser retirada em uma das casas da fazenda. Esse procedimento é para fazer o controle do número de visitantes e cobrança da entrada. Como estávamos com o guia, não tivemos dificuldade para encontrar essas referências e ainda ganhamos desconto da taxa. Segundo a proprietária, porque visitantes com guia dão menos trabalho a eles.

Do estacionamento até o rio são cerca de 600 m, por um caminho com pouca sombra. Junto ao rio, as formações feitas pelas rochas e pedras são incríveis! Em um ponto forma um cânion rodeado de paredes de pedra. Já próximo à cachoeira, pedras dão a impressão que vão cair das laterais e ainda há outra que parece flutuar por cima do rio. Ficamos o resto da tarde ali admirando e interpretando as rochas.

 

Fotos: Complexo do Grão Mogol

 

Complexo da Vargem Grande

Foram 9 km de estrada de terra para chegar até o restaurante onde fica o estacionamento e é feito o controle de acesso à área. Seguindo por cerca de 600 metros de trilha, ao longo do rio, chega-se ao ponto de destaque desse complexo: a Cachoeira das Esmeraldas, que recebe esse nome porque a água fica cor de esmeralda.

Por volta de 11h é quando o sol bate na maior parte do poço. Você pode se acomodar nas pedras para apreciar a natureza em um espaço bem amplo.

 

Foto: Cachoeira das Esmeraldas

 

A queda d’água é bem larga e achei um ponto no canto esquerdo que foi como uma hidromassagem. Sentei na pedra e deixei a água bater no ombro, nas costas, nos braços, nas pernas e ir relaxando toda a musculatura.

Há vários pontos para banho ou com pequenas quedas d’água ao longo do rio. Como visitamos esse complexo em um sábado, no horário em que o Poço das Esmeraldas começou a encher, buscamos um desses refúgios que estava mais tranquilo.

Foto: Complexo da Vargem Grande

 

Parque Serra do Moleque

Esse é um parque privado e que possui a melhor infraestrutura dentre os que visitamos: restaurante, transporte interno, escadas, corrimões, trilhas suspensas para dar mais segurança e facilitar o deslocamento. Por isso, é ótimo para grupos com crianças. Visitamos as quatro cachoeiras:

Cachoeira do Guatambu: a mais distante, mas são 800 metros de trilha apenas. A queda d’água é apenas um filete que desce de um ponto bem alto. Quase não bate luz no poço porque tem muita vegetação em volta, mas eu achei o lugar lindo, parece um poço encantado de filme.

Foto: Cachoeira do Guatambu

 

Cachoeira do Índio: também pode ser acessada pelo Complexo da Zilda. É bem agradável, bonita e de fácil acesso, com uma queda pequena, mas com vários pontos onde você pode se sentar e sentir a energia da cachoeira.

Cachoeira da Zilda: a que fica mais próxima ao restaurante, com praia de areia e poço grande, e acesso bem fácil, apesar de ter escadas que pode ser um obstáculo para algumas pessoas.

Foto: Cachoeira da Zilda

 

Cachoeira da Proa: como não há uma queda d'água íngrime, achei que não parece uma cachoeira como estamos acostumados a ver. É um belo poço ao pé de uma extensa rocha. Há corrimão e estruturas no piso para deixar a travessia mais segura. É um lugar bem gostoso para relaxar.

 

Foto: Poço da Proa ao fundo

 

O parque oferece um “trenzinho” para levar os visitantes do estacionamento até o restaurante, e vice-versa, e facilitar o deslocamento até as cachoeiras. Esse trenzinho é puxado por um trator e faz a diversão das crianças, e também é bem estruturado e seguro.

Foto: Trenzinho do Parque Serra do Moleque

 

Serra de Carrancas

Subimos pela rodovia que dá acesso à cidade até o topo da Serra de Carrancas, em um ponto onde há uma rampa de voo livre, para ver o pôr do sol. Que visual maravilhoso! Tanto do jogo de cores, luz e sombra no céu, quanto das tonalidades de verde e marrom nas montanhas abaixo, e das variações no relevo.

Essa serra me surpreende pela sua inclinação: realmente parece uma parede colocada aleatoriamente em um terreno bem mais baixo. E ver o sol se escondendo no seu extremo oeste deixando uma cor dourada ao longo e em volta dela foi lindo!

Fotos: Pôr do sol na Serra de Carrancas

 

Na serra há várias opções de hospedagem, para quem quer aproveitar mais desse visual. A cidade também oferece opções de hospedagem em áreas rurais.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Vídeo: Explorando cada cantinho de Carrancas conhecemos lugares maravilhosos!

 

Dicas para conhecer Carrancas

  • Uma dica para pegar as cachoeiras mais vazias é chegar cedo, logo quando abre o complexo. Assim, tem mais chance de visitá-las com tranquilidade. E, sempre que possível, evitar feriados, férias escolares e finais de semana.
  • É possível deslocar com facilidade entre os complexos, já que  as estradas são sinalizadas e bem conservadas, embora não sejam pavimentadas. Preste atenção em vacas que podem atravessar seu caminho e passe devagar pelos mata-burros.
  • Contrate um receptivo turístico local para ter um passeio mais seguro, informações privilegiadas e visitar pontos turísticos diferenciados. Dentro dos complexos, as trilhas até os poços e cachoeiras são sinalizadas, mas é muito interessante ter informações interpretativas sobre a história, a vegetação, rios ou outros aspectos do local.  Um passeio guiado por quem conhece a região é ideal se você, assim como eu, gosta de conhecer pontos turísticos  e roteiros diferenciados e menos visitados.
  • Circulamos com carro de passeio sem dificuldade, mas há outros pontos turísticos onde só se chega em veículo 4x4. Um guia saberá dizer onde poderá ir com um carro sem tração nas 4 rodas.
  • Sinal de celular nem sempre funciona, o que é bom para desligar da tecnologia e curtir com mais intensidade o lugar.
  • O comércio é bem variado e também há agências bancárias.
  • Leve seu bom humor e disposição para desfrutar das belezas desse lugar, respeitando a natureza e a população local, que tenho certeza que voltará para casa com a mente descansada e com bastante energia obtida nos banhos de cachoeira de Carrancas.
  •  

Foto: Na estrada para as cachoeiras

 

Dicas bônus: como se preparar para fazer passeios na natureza

Apesar de boa parte dos passeios em Carrancas serem fáceis e acessíveis a toda a família, há alguns cuidados importantes a serem seguidos:

  • Observe se há risco de chuva, já que isso pode fazer os rios subirem repentinamente e causar acidentes ou, ainda, prejudicar travessias. Informe-se com os funcionários dos complexos para saber se há risco e como proceder. Além disso, cachoeira com sol é muito mais agradável do que com chuva, claro.
  • Leve água e lanches, hidrate-se com frequência, use protetor solar.
  • Carregue de volta seu lixo e descarte nas lixeiras públicas, da pousada ou do complexo.
  • Evite consumir bebida alcoólica porque pode reduz os reflexos e equilíbrio e pode provocar acidentes nas trilhas.
  • Utilize calçado fechado para as caminhadas, mesmo as de curta duração, pois dá mais segurança e conforto. Protege seu pé de tropeços nas rochas, espinhos, pedras pontiagudas, e mesmo de uma torção. Leve uma toalha pequena na mochila e quando for colocar novamente seu calçado, enxugue os pés para evitar bolhas e desconforto.
  • Olhe onde pisa e onde coloca a mão, pois pode encontrar moradores locais, como cobras, aranhas, taturanas. Se encontrá-los, afaste-se e não os machuque.
  • Evite deslocar sozinho, pois se precisar de ajuda, nem sempre o celular irá funcionar ou terá alguém por perto para te socorrer.
  • Considere que, em geral, a água é fria e que, em algumas cachoeiras, a mata ciliar no entorno prejudica a entrada do sol, o que deixa a temperatura um pouco mais baixa.
  • O fluxo de água nos rios e cachoeiras varia de acordo com a época do ano. Períodos de seca, com menor fluxo de água, podem reduzir a beleza cênica das cachoeiras, mas podem permitir o banho em locais que seriam perigosos se o fluxo de água estivesse maior, além de ter menor chance de chuva. Para mim, uma época boa é a primavera, porque as chuvas ainda não são intensas e a temperatura já está se elevando.

 

Se você está em busca de (re)conexão com a natureza, deu pra perceber que Carrancas é uma boa pedida, não é? Agora é só começar a planejar a sua viagem inesquecível à cidade. Não se esqueça de postar suas fotos lindas usando #TurismoMG e #BlogDaquideMinas.

Conta pra gente o que você achou dos passeios da Gisele por Carrancas aí nos comentários. Faltou algum ponto turístico na cidade?

 

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Sobre o Autor

Gisele Mafra

Turismóloga amante de viagens, trilhas, natureza e autodesenvolvimento. Gerente de Uso Público e Eventos da Fundação de Parques e Zoobotânica de Belo Horizonte.

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