Turismo em Minas Gerais | Cozinha Mineira, o que era bom ficou ainda melhor

Cozinha Mineira, o que era bom ficou ainda melhor

Foto por: John Brandão
Atualizado em: 19/02/2021

Cozinha Mineira, o que era bom ficou ainda melhor

 

Uma homenagem a cozinha mineira, que de tão maravilhosa, merece se tornar um patrimônio.

 

Pra quem é mineiro, convenhamos: não é difícil acessar uma memória de infância que se relacione aos sabores, cheiros, texturas e cores de quitutes preparados pelas mãos mais que prendadas de uma tia, mãe, avó, um amigo da família e por aí vai. 

Vamos a fatos. Todo mundo sabe que não tem lugar mais aconchegante, que aproxime, espalhe afetividade e seja repleto de memórias, pelo menos aqui em Minas, que o ambiente das cozinhas - ou onde guarde um bom forno ou fogão.   

Repleta de simbolismos e signos, a cozinha mineira se traduz em palavras como saberes tradicionais, sabores marcantes, acolhimento e alto padrão de qualidade. Pensando bem, cozinha mineira deveria ser até um padrão de qualidade, já pensou? “Hum, esse sanduíche alcançou 7 pontos na escala cozinha mineira.”  Considerem. 

Brincadeiras a parte, as influências da cozinha mineira se mesclaram numa explosão de sabores e nutrição desde que iniciaram os registros de histórias do que conhecemos como nossa querida Minas Gerais.   

Seja pelos povos indígenasportugueses ou africanos escravizados, cada um deixou o seu legado. Uma cumbuca, o uso de um tempero, o cultivo de uma hortaliça ou criação de uma animal. Ingredientes, sabores, utensílios, e modos de fazer. 

Das quitandeiras aos  chefes,  passando pelos pequenos produtores. Dos fornos a lenha aos industriais, passando pelos fogões caseiros. Do café da manhã ao jantar, não esquecendo de todos os petiscos durante o dia, nossa cozinha é o reflexo da história dessa cultura que se mistura. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Como a Cozinha Mineira se destaca 

Hoje, pelo boca a boca, Minas Gerais alcançou o reconhecimento da qualidade de sua cozinha. Não existe um turista desavisado que chegue aqui sem esperar minimamente comer bem e conhecer o que há de melhor em produção e preparo de alimentos. 

E todo esse potencial vem sendo explorado por quem trabalha com turismo, seja oferecendo roteiros que tem como principal motivação a cozinha mineira ou salpicando entre um passeio e outro o que oferecemos de melhor na cozinha, desde a produção, como plantio e criação até a transformação da alta cozinha.  

 

O que a Cozinha Mineira representa 

Ninguém melhor que quem trabalha e, claro, saboreia a cozinha mineira para opinar sobre sua importância. Por isso, resolvemos coletar opiniões e histórias de pessoas que estão direta e indiretamente ligadas a essa cultura. Constatamos o que já imaginávamos: só  reforçou nosso  carinho e vocação para a culinária. Confere aí:

“ Nossa cozinha mineira é importante porque valoriza nossa cultura,  demonstra nosso jeito de ser , representa o acolhimento  e  agradecimento, o alimento que produzimos e  que também faz parte da cozinha  é   dedicação  e amor pela cozinha mineira.”  

 

 

 

Ivair, Produtor Rural- Queijo do Ivair 

 

“Para mim, a cozinha mineira significa família e muito acolhimento. Sou paulistana, mas minha mãe é mineira, assim como toda a minha família materna. Sentar em uma mesa na cozinha para um “cafezin” é uma das memórias mais cheias de afeto que tenho da infância, já que íamos quase todos os anos para Minas Gerais visitar os parentes e sempre éramos recebidos com café, pão quentinho, pão de queijo, um bolo de fubá delicioso e muito queijo! 

Na última viagem a esse estado maravilhoso, no ano passado, diria que a comida mineira agregou muito para conhecer a diversidade de Minas. Digo que é a síntese do Brasil, porque o estado é realmente enorme e a comida acompanha essa extensão. Então, ter contato com a cozinha mineira é a melhor forma de se aproximar desse destino e de sua variedade. As cachaças de todos os tipos, os queijos e suas diferentes maturações, o doce de leite mais cremoso ou o mais durinho, o clássico arroz com frango e quiabo, e as diversas sobremesas com frutas exemplificam as possibilidades prazerosas de Minas Gerais.” 

 

 

Paula Calçade- Jornalista 

 

“A cozinha mineira representa pra mim, a minha vida. Eu sou guardião de uma empresa com 70 anos fundada pela minha avó, continuando com meu pai e hoje eu que estou a frente. Os últimos 20 anos de associativismo, à frente da Frente da Gastronomia Mineira (FGM) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e isso é pra mim uma honra muito grande. Então acho que a cozinha mineira, não só pra mim, mas para todos os mineiros representa o nosso DNA. Acredito que somos vistos no Brasil e no mundo muito em função da nossa gastronomia, e é ela que é um dos principais indutores do turismo no estado. A gente tem um turismo gastronômico muito forte e isso é muito importante pra nós mineiros. Vamos valorizar isso muito porque é o que agente tem de mais valioso no nosso estado

Sabor de infância na cozinha mineira é algo que é muito fácil da gente compartilhar. Eu lembro que a minha avó enquanto fundadora do Maria das Tranças fazia o famoso frango ao molho pardo, mas ela tinha também um prato que era muito específico: o frango com fubá de moinho d’água. A receita nunca chegou a ir para o cardápio do restaurante, era uma comida que ela fazia muito para minha família e pra mim na minha infância e é algo que me marcou muito na nossa culinária. “ 

 

 

Ricardo Rodrigues- Frente da Gastronomia Mineira/ Maria das Tranças.

 

“Gente, a comida mineira mudou a minha vida, e isso não é força de expressão. Foi no ramo da gastronomia onde eu me encontrei, depois de anos trabalhando no mercado financeiro. Hoje, eu tenho a sorte de poder contribuir com essa cadeia tão rica que é a cultura alimentar. Nós somos privilegiados por estar em Minas Gerais, um estado que tem a gastronomia como protagonista, graças ao trabalho de produtores, agricultores, cozinheiras, empreendedores, enfim, é muita gente boa trabalhando no setor. O nosso tempero, a nossa acolhida, os nossos ingredientes tornam essa gastronomia algo único no Brasil, não podemos nos esquecer disso!” 

 

 

Marcelo Wanderley- Empreendedor  

 

"Meu nome é Viviane Lemes e eu falo do Triângulo Mineiro. Um prato da culinária mineira que marca a minha infância é a pamonha, exatamente pelo seu simbolismo. Para se fazer a pamonha, acontece um momento conhecido como pamonhada, que  é uma reunião familiar onde se distribuem tarefas e distribuem afetos. Ela representa muito para nós, representa o ato de comer mas muito mais do que isso representa as relações afetivas e a manutenção das tradições. E assim são os nossos roteiros, as experiências turísticas no Triângulo Mineiro. Mais do que seus produtos e roteiros, temos pessoas, suas histórias, suas tradições, o seu jeito de fazer e temos também muito afeto em cada um dos produtos associados ao turismo eles vêm carregados de emoção. Venha conhecer o triângulo Mineiro!" 

 

 

Viviane Lemes- Empreendedora 

 

"Olá, tudo bem? Eu sou o Marcos Januário, gestor de Circuito Trilha dos Inconfidentes e presidente da Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (FECITUR).  Hoje eu vou passar aqui para falar com vocês um pouquinho da nossa produção rural, o que a gente tem de potencialidades da cozinha mineira dentro do Circuito Trilha dos Inconfidentes, que são os queijos, produtos derivados do leite. O queijo fino, o queijo do reino, o queijo Minas Artesanal Terroir Vertentes. Além dos queijos temos os derivados, como o iogurte, requeijão, doce de leite, temos também o rocambole. Além disso, a gente tem cogumelos diferenciados na nossa região, cafés diversos, doces como compotas derivados da fruticultura, os biscoitos que são famosos, e temos o morango, que é um dos melhores do estado você encontra aqui, nas cidades do Trilha dos Inconfidentes." 

 

 

Marcus Januário- Presidente da FECITUR 

 

Deu pra perceber que a nossa cozinha é além de um compilado de sabores, uma fonte inesgotável de histórias e lembranças, e isso é o resultado de uma história inteira de paixão, afeto e de muita qualidade.  

E depois desses relatos, o que nos deixa com o coração ainda mais quentinho e orgulhosos é que, hoje, Minas deu passos largos para iniciarem estudos que reconhecerão a cozinha mineira como um Patrimônio Cultural Imaterial, ação que faz parte do Plano Estadual da Cozinha Mineira (2021-2024).  Assista o evento a partir das 16h do dia 19/02/2021 clicando aqui

 

Sobre o Autor

Júnia Gontijo Cândido

Turismóloga, apaixonada pela vida ao ar livre, dogs, livros, séries e rock'n'roll. Atua na Diretoria de Promoção e Marketing Turístico/Secult MG.

Ane Lopes

Autora do seu próprio destino.Vive intensamente os desafios e multiplicidade de papéis da mulher moderna.Compartilha suas experiências de mineira e turismóloga.

Luís Carneiro

Mineiro dos pés à cabeça. Marketólogo. Turismólogo em formação. Estagiário da SECULT-MG que ama ver, ouvir e escrever sobre as belezuras desse Brasil

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