Turismo em Minas Gerais | Gosto de Minas: Rocambole de Lagoa Dourada

Gosto de Minas: Rocambole de Lagoa Dourada

Atualizado em: 25/09/2020

Sabe aquelas histórias bem mineiras, que a tradição e o amor transbordam e nos enchem de orgulho? Pois é! Hoje vamos contar uma dessas. Muitos já devem conhecer, mas se ainda não escutou falar do rocambole de Lagoa Dourada, a boa notícia é que ele está mais perto do que você imagina. Localizada a 150 km de Belo Horizonte, o município é conhecido como a “Capital Mineira do Rocambole”. A posição estratégica da cidade ajudou a popularizar a tradição, já que, para chegar em São João del-Rei e Tiradentes, vindo de Belo Horizonte, a passagem por lá é obrigatória.

Que o doce é uma delícia, todos que já experimentaram não me deixam mentir. O que poucos sabem, é que a receita original veio de muito longe. A história começa há um século atrás, quando o libanês Miguel Youssef casou-se com a lagoense Dolores. O casal começou a produzir o doce e outros quitutes em um estabelecimento que ficava ao lado do ponto de ônibus da linha São João del-Rei / Lagoa Dourada. Daí em diante, o gosto pelo rocambole passou de geração em geração e se disseminou pela cidade.


Foto: @uaisomochilando - instagram

Seu Jaci acompanhou tudo isso bem de perto. Desde novo, com 14 anos, começou a trabalhar como padeiro no estabelecimento da família Youssef, onde ficou por 10 anos. Decidido a abrir o seu próprio negócio, ele foi incansável e fez de tudo para juntar o dinheiro necessário para conseguir o feito. Na época, estava acontecendo a construção da ferrovia do aço e seu Jaci conta que a demanda dos peões por açúcar era muito grande. Ai já viu, né? Com o seu carro saía pela cidade vendendo doces que rapidamente conquistaram os moradores da região.

O boca a boca sempre foi o principal aliado de seu Jaci. Com o fim da construção da ferrovia, a venda dos produtos caiu, mas com o dinheiro que havia juntado, comprou um forno elétrico e começou a experimentar diversas receitas. Daquele jeitinho mineiro que todos conhecem bem, ele foi desenvolvendo as primeiras embalagens do rocambole. Montou uma caixinha bem simples: branca, com o escrito “Rocambole Lagoa Dourada”. Heloisa Andrade, filha de Jaci, conta aos risos que, na época, eles passavam um papel de presente envolta do produto para enfeitá-lo.

O empreendimento cresceu e a caixinha mudou. Agora, o papel amarelo se tornou marca registrada do produto. Desde 1997, a empresa vem crescendo e hoje o Jaci administra a padaria ao lado dos filhos Heloisa, Lilian e Leonardo. E como aquelas histórias que passam de pai para filho, eles garantem que a tradição vai se manter por muito tempo.

Rocambole do Jaci


Foto: Breno Matias e Lucas Nishimoto

Ingredientes:

6 ovos

6 colheres (sopa) de açúcar

6 colheres (sopa) de farinha de trigo

1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de Preparo:

Primeiro bata as claras em neve. Acrescente as gemas, uma a uma, batendo sempre. Adicione o açúcar, a farinha e o fermento. Despeje na assadeira sobre o papel untado e leve ao forno médio para assar e dourar, por cerca de 10 minutos. O segredo é o forno. Desenforme ainda morno, sobre um pano polvilhado com um pouco de açúcar. Espalhe o recheio, enrole o rocambole, com a ajuda do pano e passe para uma travessa. Polvilhe açúcar de confeiteiro e sirva frio. O recheio fica de acordo com a sua preferência. 

Seu Jaci gosta de destacar que a receita vai ser sempre a mesma e o que muda é o amor que o padeiro coloca no prato. A cidade de Lagoa conta com 7 estabelecimentos fabricantes de rocambole. Cada um com seu diferencial, mas todos com uma semelhança: são deliciosos.

Deu vontade por aí? Que tal fazer essa delícia de receita do Rocambole do Jaci em casa? Depois nos conte como ficou, nos marcando no @visiteminasgerais.

Comentários