SEMANA SANTA NA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DO CAMPESTRE
Campestre
Domingo, 29 de março até domingo, 05 de abril de 2026
Paróquia Nossa Senhora Do Carmo - Semana Santa - Praça Delfim Moreira , 15 , Centro
(35) 3743-1296
SOBRE O EVENTO
A Paróquia de Nossa Senhora do Carmo inicia a Semana Santa com o Domingo de Ramos, celebração que marca a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido com ramos e aclamações como o Messias.
A Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, no município de Campestre, inicia a Semana Santa com a celebração do Domingo de Ramos, conforme orienta o Missal Romano, que estabelece esta celebração como a porta de entrada para os ritos da Paixão do Senhor. Neste dia recorda-se a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, quando o povo judeu e os peregrinos reunidos na cidade o acolheram com ramos e aclamações, reconhecendo-o e proclamando-o como o Messias prometido. Assim, a comunidade cristã revive esse episódio reunindo-se com ramos nas mãos para aclamar Jesus como Rei e Salvador, iniciando o caminho espiritual que conduz ao mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Na cidade de Campestre, essa celebração é vivida de maneira muito própria e profundamente enraizada na tradição local. A comunidade reúne-se diante da igreja matriz e, em espírito de fé, segue em caminhada pelas ruas centrais da cidade. O percurso inicia-se à porta do templo, descendo em direção ao conhecido Morro do Nicóla, denominação popular da Rua Dr. Afonso Dias de Araújo, retornando ao final do jardim e subindo novamente até a porta da matriz. Ao longo do caminho, a procissão passa diante de casas que fazem parte da memória da comunidade, como a da saudosa Maria Helena Sartini, que muito contribuiu com a vida da Igreja local, bem como diante da residência do Dr. Júlio, advogado de grande reconhecimento na cidade, e da casa do Sr. José Passos. Esse trajeto, repetido ao longo de gerações, tornou-se parte viva da tradição religiosa e cultural da cidade. Ao regressar à frente da igreja, todos se reúnem para a celebração da missa campal, instante em que a assembleia, em oração, dá início de forma solene às celebrações mais intensas da Semana Santa. Entre as práticas mais marcantes desse período está também a tradicional Procissão do Encontro, profundamente significativa para os devotos. Nela recorda-se o encontro doloroso entre Jesus Cristo, a caminho do Calvário, e sua mãe, Virgem Maria. Culturalmente, em Campestre, a imagem de Nossa Senhora das Dores parte da Capela de Nossa Senhora do Rosário, seguindo pela Avenida José André Avelino, passando pela Rua Mateus Aparecido de Souza e subindo pela Rua Dr. Afonso Dias de Araújo. Ao mesmo tempo, a imagem de Nosso Senhor dos Passos sai da Capela de Santos Reis, descendo pela Rua Gabriel Junqueira, passando pela Rua Coronel José Guilherme e pela Praça Brasil, até que ambas se encontram diante da igreja matriz. Nesse instante, profundamente simbólico e comovente, é proclamado pelo sacerdote o tradicional Sermão do Encontro, convidando os presentes à meditação sobre o sofrimento de Cristo e a dor de sua Mãe. A vivência da fé ao longo da semana alcança um de seus pontos mais tradicionais na Sexta-feira Santa, quando o povo participa da tradicional Procissão do Enterro do Senhor. Trata-se da maior manifestação religiosa desse período em nossa comunidade. O cortejo desce em direção à Capela de Nossa Senhora do Rosário, retornando e subindo até a Capela de Nossa Senhora Aparecida, para então descer novamente em direção à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo. Nessa cerimônia é conduzido em seu esquife o corpo de Jesus Cristo, tradicionalmente adornado com flores de hortênsia, ramos de alecrim e a planta conhecida como monsenhor, todas doadas pela população que aguardam ansiosamente por este momento. Sobre o esquife é colocado o Pallium, paramento litúrgico, que protege a imagem do orvalho da noite. Logo atrás segue o andor da Virgem Dolorosa, também ornamentado com flores e alecrim seu rosto permanece coberto por um antigo véu, doado à imagem por uma fiel devota da comunidade. Ao longo do percurso, as luzes das velas iluminam as ruas por onde passa a caminhada penitencial, enquanto os devotos entoam cânticos de dor e piedade que recordam e rememoram o triste momento da morte do Senhor. Em outros momentos, o que se escuta é o som das matracas, instrumento muito antigo e característico das celebrações da Semana Santa, cujo ruído marcante contribui para criar um ambiente de recolhimento e contemplação. Ao chegar à igreja matriz, muitos adentram e passam aos pés da Virgem e diante do esquife de Jesus. Alguns retiram flores, ramos de alecrim e monsenhor, que em diversas famílias são utilizados em chás, remédios caseiros e benzimentos, práticas de devoção e cuidado transmitidas de geração em geração. Todas essas celebrações constituem uma tradição profundamente enraizada na fé e na cultura do povo Campestrense. Ao longo do tempo, a participação popular nessas manifestações religiosas mantém viva uma herança espiritual que une religiosidade, devoção e identidade comunitária. Nesse contexto, recorda-se também com gratidão o trabalho pastoral do saudoso Monsenhor José dos Reis, que tanto contribuiu para fortalecer a fé do povo e preservar as tradições religiosas da paróquia. Seu zelo e dedicação ajudaram a consolidar essas celebrações como verdadeiro patrimônio espiritual da comunidade. Assim, ao percorrer os passos da Paixão de Cristo ao longo da Semana Santa, a comunidade de Campestre renova sua fé, revive tradições herdadas de seus antepassados e prepara o coração para celebrar, com alegria e esperança, a vitória da vida na Ressurreição do Senhor. Texto de Padre Paulo Rogério Sobral