Portal Minas Gerais - Eventos: SEXTA-FEIRA DAS DORES



SOBRE O EVENTO

SEXTA-FEIRA DAS DORES

Crônica de Fé: A Noite de Devoção no Cume de Gouveia Emoldurada pela Serra do Espinhaço, a cidade de Gouveia revive anualmente uma das tradições mais profundas do barroco mineiro. O cenário não poderia ser mais emblemático: a Capela de Nossa Senhora das Dores, erguida no ponto mais alto da cidade, onde a terra parece tocar o céu. Um Monumento de Fé e Pedra A capela, que domina o horizonte gouveiano, é um testemunho silencioso da história do Brasil Colônia. Construída inteiramente em pedra por mãos escravizadas, a edificação carrega em suas paredes séculos de memórias e resistência. Sua arquitetura austera e sólida guarda um dos maiores tesouros da região: a histórica imagem de Nossa Senhora das Dores. Diz a tradição e os registros locais que esta imagem sagrada pertenceu a ninguém menos que Chica da Silva, a icônica figura de Diamantina, reforçando o elo místico e histórico que une Gouveia ao período áureo da exploração de diamantes. A Liturgia das Estátuas: Quadros Vivos e Motetos O evento tem seu início solene no ponto mais alto da cidade, Diferente dos ritos cotidianos, esta é uma Missa Campal. O adro da capela transforma-se em um vasto santuário ao ar livre, onde o altar é emoldurado pela fachada histórica e o horizonte de Minas Gerais. Às 19:00h, a comunidade se reúne sob o céu aberto para iniciar a liturgia que prepara o espírito para a penitência que virá.a celebração transcende a oração comum, transformando-se em uma ópera sacra pelas ruas de pedra: Os Quadros Vivos Passinhos: Jovens da comunidade, em um gesto de entrega e arte, compõem cenas estáticas ao longo do percurso. Como estátuas vivas em meio ao silêncio da noite, eles encenam os Passinhos, representando as dores da Virgem com figurinos e expressões que parecem paralisar o tempo. Os Motetos em Latim: A procissão é ritmada pelos Motetos. São cantos solenes e ancestrais, entoados em latim, cujas harmonias melancólicas ecoam pelas ladeiras, criando uma atmosfera de profunda introspecção que remonta ao século XVIII. O Sermão nas Alturas O Sermão das Sete Dores acontece enquanto o cortejo serpenteia em direção ao topo. O pregador utiliza as estações das estátuas vivas para narrar a jornada de Maria, culminando no retorno à capela centenária. O Desfecho no Ponto Mais Alto O evento se encerra onde tudo começou: no adro da capela de pedra. Lá do alto, com a cidade iluminada aos seus pés, os fiéis recebem a bênção final diante da imagem que outrora pertenceu a Chica da Silva, selando mais um capítulo da história viva de Gouveia.

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